Rússia lança programa federal de suporte à pesquisa com uso de técnicas de edição genética

29-05-2019

A Rússia está investindo no uso das tecnologias de melhoramento e edição genética. Um programa federal de 111 bilhões de rublos (equivalentes a US$ 1,7 bilhão) busca desenvolver 10 novas variedades de culturas agrícolas e de animais até 2020 e outras 20 variedades até 2027.

O diretor do Instituto de Citologia e Genética da Academia Russa de Ciências, Alexey Kochetov, celebrou a criação do programa de financiamento de pesquisas, e ressaltou que há décadas a genética no país vem sendo “cronicamente subfinanciada”, tendo despencado a partir de 1990, após o desmembramento da União Soviética. A Rússia ainda fica atrás de grandes potências nesse quesito: em 2017, o país investiu 1,11% de seu produto interno bruto em pesquisa. No mesmo período, a China investiu 2,13% e os Estados Unidos, 2,79%.

Alguns pesquisadores, entretanto, não acreditam que as metas estabelecidas no programa possam efetivamente ser cumpridas no prazo estipulado, tendo em vista, especialmente, uma já conhecida e excessiva burocracia.

De acordo com matéria publicada na revista Nature este mês, não está claro ainda se os fundos do programa já estão incluídos no orçamento federal para a Ciência ou se serão adicionados a esse orçamento – que em 2018 foi 364 bilhões de rublos, sendo 22 bilhões de rublos destinados à pesquisa genética.

Anunciado em abril, o programa indica que alguns produtos desenvolvidos por edição genética não serão submetidos à legislação russa que dispõe sobre OGM. A lei, aprovada em 2016, define os OGM como organismos modificados geneticamente “que não podem resultar de processos naturais”. O País proíbe o cultivo de OGM, exceto para fins de pesquisa.

Já o decreto que estabeleceu o novo programa de financiamento descreve as tecnologias de edição genética, a exemplo da CRISPR-Cas9, como equivalentes aos métodos convencionais.

Cevada, beterraba açucareira, trigo e batata foram definidas como prioridade, já que a Rússia é o maior produtor mundial de cevada e grande produtor dos outros três cultivos. E as pesquisas já estão em andamento. Cientistas dos institutos da Academia Russa de Ciências em Moscou estão desenvolvendo variedades de batata e beterraba açucareira resistentes a patógenos com uso de técnicas de edição genética. As pesquisas com cevada e trigo com mais nutrientes e mais fácil de serem processados estão sendo conduzidas também no Vavilov Research Institute of Plant Industry, em São Petersburgo.

Fonte: Nature – Olga Dobrovidova