Relatório – Os efeitos da inovação na agricultura sobre o meio ambiente

23-11-2018

A produtividade agrícola britânica estagnou em um momento em que o mundo precisa dobrar a produção de alimentos para acompanhar o crescimento da população, de acordo com o relatório “Os Efeitos da Inovação na Agricultura sobre o Meio Ambiente”, publicado pelo Instituto Britânico de Assuntos Econômicos (Institute of Economic Affairs – IEA) no início do mês.

Dois artigos, escritos por Matt Ridley e David Hill, mostram como a inovação na agricultura pode levar a maiores safras, ao mesmo tempo em que demanda menos terras e “as devolve à natureza”.

O relatório aponta que os agricultores britânicos foram impedidos de adotar inovações como biotecnologia, modificação genética, silenciamento e edição de genes, bem como agricultura de precisão e robótica – ferramentas que podem aumentar os rendimentos, reduzir os custos para agricultores e consumidores e reduzir o impacto ambiental da agricultura.

Pós-Brexit, os agricultores no Reino Unido podem estar diante de forte concorrência se as tarifas externas forem reduzidas. Além disso, há poucas terras disponíveis no Reino Unido que podem ser cultivadas facilmente ou de forma produtiva.

“É imperativo que o governo permita que os agricultores aumentem sua competitividade introduzindo novas tecnologias – algumas das quais já estão sendo usadas com sucesso em outras partes do mundo – para aproveitar ao máximo as terras que atualmente cultivam”, destaca o documento.

Para garantir que os avanços tecnológicos estejam em linha com a conservação ambiental, o relatório indica que incentivos econômicos bem planejados podem ser implantados. “Por meio de conceitos como habitat banking (ou bancos de biodiversidade) e créditos ambientais, uma política inovadora pode gerar recompensas pela criação de áreas de conservação, pela melhoria e restauração da vida selvagem, benefícios ecológicos que são eficazes e acessíveis.

Inovação na agricultura e produção de alimentos é vital

A inovação na agricultura entre 1960 e 2010 significou que 68% menos terras foram necessárias para produzir alimentos. Adotar as tecnologias disponíveis tornará a agricultura do Reino Unido viável e, como pioneiros, os agricultores britânicos colheriam diversos benefícios econômicos, incluindo:

  • melhor retorno dos investimentos
  • menor dependência de subsídios
  • maior capacidade competitiva no mercado mundial
  • menor dependência de defensivos químicos
  • menor uso de lavouras
  • conservação de áreas naturais
  • crescimento em P&D
  • oportunidades de emprego

Tecnologias que devem ser abraçadas

  • Modificação genética: a tecnologia foi rejeitada quase completamente pela UE, apesar da clara evidência de que esta inovação reduziu a dependência de defensivos químicos em cerca de 36% em média. O efeito das campanhas contra as culturas GM levou a agricultura britânica a ser mais dependente de defensivos e menos competitiva. A modificação genética tem ainda o potencial de estender o prazo de validade dos alimentos, o que acaba reduzindo o desperdício.
  • Fixação de nitrogênio por bactérias: este é um candidato promissor para uma mudança na produtividade agrícola. Os resultados de 200 testes da tecnologia N-fix sugerem que os rendimentos podem aumentar em 30% e o uso de fertilizantes podem diminuir em cerca de 50%. Isso é significativo: se a produção de trigo, milho e arroz tivesse um aumento de 30% no rendimento, com custos mais baixos para os agricultores e menos poluição, haveria impactos econômicos e ecológicos dramáticos com a queda de preços e preservação de terras, o que seria benéfico para o meio ambiente.
  • Agricultura de precisão e robótica: os dados coletados por drones para tornar a agricultura mais eficiente, como a densidade de plantio e a fitossanidade, representam uma vantagem competitiva potencial para países que adaptam suas regulamentações para abranger veículos aéreos não tripulados e tratores autônomos.
  • Gestão da conservação: as práticas focadas na gestão de hábitat selvagens podem ser melhoradas e transformadas pela inovação inteligente. Por exemplo, as técnicas de controle biológico de espécies invasoras melhoraram dramaticamente nas últimas décadas.

Fonte: IEA