Feijão GM da Embrapa deve estar na mesa do consumidor em 2020

29-05-2019

Um feijão carioca GM resistente ao mosaico dourado, principal doença da cultura, deve começar a ser plantado no País em outubro e estar na mesa do consumidor no início de 2020, segundo cronograma da Embrapa Arroz e Feijão.

O lançamento da variedade desenvolvida pelo órgão em 15 anos de pesquisa com custo aproximado de US$ 3,5 milhões, entre pesquisa, investimentos e salários, já causa discussões e divide representantes do setor, por medo de reações negativas de consumidores preocupados com segurança alimentar.

Mosaico dourado

A variedade BRS FC401 RMD é resistente ao vírus do mosaico dourado, doença que ataca o feijoeiro comum e que pode causar perdas de 40% a 100% da produção, dependendo do grau de infestação da mosca branca, transmissora do vírus.

André Coutinho, analista e chefe-adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Arroz e Feijão, afirmou que a instituição vai lançar um edital simplificado nos próximos dias para escolher as empresas que vão reproduzir as sementes no inverno e vender aos produtores.

Segundo ele, a tecnologia consiste na adição de um pequeno pedaço do vírus que vai agir como se fosse uma vacina contra o mosaico dourado, tornando a planta imune à doença.

É o primeiro produto transgênico desenvolvido pela Embrapa. No mundo, segundo Coutinho, só existe semente de feijão transgênico do tipo caupi na Nigéria. A expectativa é que a nova variedade seja plantada em áreas de grande infestação da mosca branca para elevar a produção de feijão carioca e diminuir a oscilação de preços durante o ano.

“Boa parte da oscilação se explica pela infestação da mosca, já que o produtor chega a fazer mais de uma aplicação por semana contra o inseto. Com o feijão RMD, ele pode cortar pela metade o gasto com defensivos.”

Outros países querem tecnologia

Coutinho afirmou que a qualidade, o aspecto e a produtividade (teto médio de 3.600 kg por hectare) do RMD são compatíveis com os melhores feijões do mercado e que outros países, como a Argentina, já se interessam pela nova tecnologia.

Após o plantio, a Embrapa vai fazer monitoramento de risco das lavouras por cinco anos, colhendo amostras de campo para verificar se o vírus sofre modificações.

A estimativa da empresa de pesquisa é que nas primeiras safras o feijão RMD ocupe cerca de 10 mil a 15 mil hectares no Centro Sul e Oeste da Bahia. Neste ano, a Conab estima em 2,97 milhões de hectares a área plantada de feijão no país. O tipo carioca, que só é consumido no Brasil, responde por cerca de 70%.

A tecnologia RMD foi aprovada em 2011 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e a variedade foi registrada no Ministério da Agricultura em 2016. No mês passado, a novidade foi discutida na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Feijão, órgão do ministério que reúne representantes do setor.

Roberto Queiroga, presidente, disse que o órgão está muito dividido. “Compreendemos que não há risco à saúde porque confiamos na Embrapa. A discussão é sobre como será o comportamento do consumidor frente ao feijão transgênico e qual será a percepção dos nossos importadores”, afirmou. O assunto deve voltar à pauta da Câmara Setorial em junho.

Manejo eficiente

O feijão RMD representa uma oportunidade para o agricultor estabelecer um manejo eficiente e com impacto financeiro muito menor para a doença do mosaico dourado. Atualmente o controle da doença é responsável por até 20 (vinte) operações de aplicação de inseticidas, que chegam a custar, cada uma, por volta de R$ 100,00 (cem reais) por hectare. Além disso, o uso contínuo e crescente de inseticidas acaba por gerar uma seleção natural de insetos mais resistentes, o que torna o problema cada vez maior.

Com a adoção da tecnologia RMD o agricultor pode ganhar tanto no custo de produção, com a redução de uso de químicos, quanto na produtividade, sem a ocorrência da doença. Além disso, a tecnologia tem um potencial de controle de custos de produção que permitirá ao agricultor obter melhor margem de lucro, além de possibilitar uma melhor oferta do produto ao longo do ano para o mercado, resultando num feijão mais barato para o consumidor.

Fontes: UOL – Eliane Silva, Notícias Agrícolas e Embrapa