Estudo quantifica os impactos sociais e econômicos para o Brasil resultantes do atraso na aprovação de produtos geneticamente modificados (GM) pela China

13-06-2018

O Brasil é um importante player no mercado de soja, com expectativa de produção recorde de mais de 117 milhões de toneladas na safra 2017/2018, quase em sua totalidade, geneticamente modificada (GM). No cenário internacional, o país é responsável por quase 1/3 da produção total e ocupa a posição de fornecedor número um do grão para a China, desde 2012, quando ultrapassou os Estados Unidos. Por outro lado, a China é o principal destino das exportações de soja brasileira, responsável pela aquisição de quase 60% do total exportado.

A adoção de sistemas regulatórios previsíveis, funcionais e baseados em ciência aplicados à agricultura, permitem a entrega de tecnologias inovadoras e sustentáveis que resultam em aumento de produtividade, oferta estável e diversificada de alimentos para consumo humano e animal, redução de preços ao consumidor final e acesso a mercados importadores sem barreiras de qualquer natureza.

Ao longo dos últimos anos, o prazo para a aprovação de produtos geneticamente modificados pela China tem aumentado e provocado atrasos na disponibilização de novas tecnologias aos agricultores dos países produtores. O estudo do Informa’s Agribusiness Consulting Group (Informa) quantifica os amplos impactos sociais e econômicos que estes atrasos causaram e continuam causando aos países exportadores como o Brasil, em termos de número de empregos, renda e faturamento. A análise do Informa contempla duas fases, a primeira, considerando os eventos biotecnológicos aprovados pela China nos últimos seis anos, enquanto a segunda fase, aborda as expectativas para os próximos 03 a 05 anos

Segundo o relatório, considerando os dados dos últimos seis anos, o impacto do atraso nas aprovações de soja GM para o Brasil é bastante significante. A produção brasileira poderia ter sido maior em 400.000 a 700.000 toneladas por ano, o que em termos de preço de mercado, corresponderia a um valor de US $ 150 a 350 milhões/ano.

Para os próximos cinco anos, o Informa projeta que a produção de soja brasileira poderia ser de US $ 155 a 660 milhões anuais a maior, caso as aprovações da China sejam mais oportunas. Aproximadamente, 2/3 desta produção excedente seria exportada enquanto o restante seria absorvido pelo mercado doméstico, para produção de óleo e farelo.

É importante destacar que a aprovação dos produtos GM sob análise pela China é importante, mas uma solução de curto prazo. Para que os agricultores brasileiros possam acessar tecnologias inovadoras e mais sustentáveis e produzir alimentos seguros para o consumo humano e animal, será necessária uma mudança sistêmica de seu marco regulatório.

Download The Impact of Delays in Chinese Approvals of Biotech Crops – Executive Summary, Infographics.

Download O impacto do atraso nas Aprovações Chinesas de Safras Biotecnológicas – Resumo Executivo, Infográfico.