Argentina pode ser o primeiro país do mundo com trigo transgênico

07-03-2019

Nenhum país aprovou a comercialização de grãos geneticamente modificados de trigo, um dos alimentos básicos da dieta ocidental. A Argentina tem a possibilidade de se tornar pioneira com uma semente tolerante à seca (HB4) desenvolvida pela empresa local Bioceres em colaboração com a francesa Florimond Desprez.

Em regiões agrícolas com baixa pluviosidade, a tecnologia permite que o volume colhido seja aumentado em até 20%. Mas o governo de Mauricio Macri hesita em assumir a liderança mundial por receio dos produtores, que alegam que o trigo transgênico poderia fechar os mercados devido à rejeição dos consumidores.

“Toda vez que alguém propõe algo fora dos usos e costumes aparece um ato reflexo inicial para não mudar as coisas. Tendemos a pensar que o faça primeiro um americano, um europeu, um asiático, e quando for ‘normal’ nós o faremos. O desafio é quebrar essa lógica e nos encorajar a liderar. Temos uma tecnologia que pode ser importante para todo o planeta”, diz o diretor da Bioceres, Federico Trucco, em entrevista ao jornal El País.

A Argentina teve a pior seca dos últimos 50 anos em 2018, o que causou a perda de até 40% da colheita. De acordo com Trucco, com a semente HB4, dois milhões de toneladas de trigo a mais poderiam ter sido obtidas nessa safra, 10% do volume total de trigo cultivado no país. A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade del Litoral a partir de um gene de girassol que confere tolerância à escassez de chuvas. Também é resistente ao herbicida Prominens.

Fonte: El País – Mar Centenera